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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Arte vudu e Macumba no Museu Vieira da Silva. --- Voodoo Art and Macumba in Vieira da Silva Museum

Richard Treger e António Saint Silvestre, os dois colecionadores que há mais de 30 anos iniciaram a coleção de arte bruta e singular que pode ser vista na Oliva Creative Factory, em São João da Madeira


GONÇALO VILLAVERDE/GLOBAL IMAGENS

Quando se juntam pedaços de madeira esculpida, bidões de gasolina velhos e pregos sob a forma de anjos e diabos, isso é... arte vudu. Para ver, em Lisboa, até janeiro.

Não há bonequinhos com alfinetes espetados, mas há Macumba logo à entrada da sala de exposições temporárias do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, transformada numa espécie de pequena capela. O quadro, feito em 1946 por Maria Helena Vieira da Silva durante o exílio no Brasil, serve de mote para a mostra de 29 peças de arte vudu da coleção Treger/Saint Silvestre que por aqui se mostram até 22 de janeiro de 2017.

Todas oriundas do Haiti e na sua maioria compradas em Nice, a um galerista local, como contam Richard Treger e António Saint Silvestre, os dois colecionadores que há mais de 30 anos iniciaram a coleção de arte bruta e singular que desde maio de 2014 pode ser visitada na Oliva Creative Factory, em São João da Madeira. Ir ao Haiti para comprar estas obras não foi opção: "O galerista francês a quem as comprámos, a última vez que lá foi teve de levar uns dez homens como guarda-costas, e isso antes do terramoto de 2010, agora ainda é pior", explica o luso-italiano António Saint Silvestre, nascido em Nampula, Moçambique, há 52 anos. 

O terramoto deu uma outra dimensão a este núcleo: com os museus de Porto Príncipe a perderem muitas das obras, estas tornaram-se ainda mais raras.

Quase todas as obras têm um caráter religioso, misturando elementos do cristianismo, do hinduísmo, das crenças africanas e ameríndias. Algo que António explica facilmente: "na arte vudu, pintura e escultura são expressões populares e tradicionais de inspiração religiosa, e muitas vezes utilizadas como forma de passar mensagens divinas, bem como para celebrar acontecimentos históricos, cerimónias religiosas ou para honrar as personagens da mitologia vudu".


GONÇALO VILLAVERDE/GLOBAL IMAGENS

Originário da costa ocidental de África, o culto vudu estendeu-se às Caraíbas, sobretudo ao Haiti, e à América do Sul e do Norte, através do comércio de escravos. Mas as influências estendem-se ao imaginário literário ocidental: uma das várias figuras de Cristo desta exposição lembra o rosto de D. Quixote. É uma das cinco peças do haitiano Lionel Saint Eloi que, aos 66 anos, "é considerado um dos melhores artistas do Haiti", sublinha Richard Treger, natural do Zimbabué que, após uma carreira como pianista clássico, dedicou-se às artes plásticas, tendo mantido, com António, uma galeria de arte em Paris durante 20 anos.

GONÇALO VILLAVERDE/GLOBAL IMAGENS

Inesperados são também os materiais utilizados neste conjunto de obras: pedaços de madeira mais ou menos esculpidos aos quais os artistas, chamados bosmetal(trabalhadores de metal) - "quase sempre sem estudos nem formação artística", contextualiza António - juntam chapas de metal recortadas, por exemplo, de velhos bidões de gasolina, pregos, molas, panelas e tachos, pedaços de vidro. Entre diabos, anjos e santos uma grande figura humana prende as atenções. "É um bizango", explica António, acrescentando: "São guerreiros manequins, feitos de pano cosido e de ossos humanos desenterrados dos cemitérios". É com indisfarçável entusiasmo que conta a história por detrás da criação destes guerreiros: "A sociedade secreta Bizango do culto vudu no Haiti foi fundada no século XIX por escravos africanos e estes soldados foram criados para, simbolicamente, lutarem contra as tropas de Napoleão."

A surpresa provocada por estas peças é uma das características que António e Richard valorizam desde que há três décadas iniciaram a coleção de arte bruta e singular, uma opção pela arte que não se rege por correntes estéticas em vigor, "fora da caixa", como gostam de dizer.


Para além desta exposição de arte vudu, o Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva apresenta também uma nova montagem da coleção permanente, dando a conhecer a público obras que ali foram recentemente depo-sitadas. É o caso de quadros da pintora oriundos da coleção de arte da Parvalorem (empresa que gere os ativos do ex-BPN), da coleção do Novo Banco e quatro novos quadros de Arpad Szenes, da sua fase surrealista dos anos 1930, depositados por um particular. Para a última sala guardou uma surpresa: Près du Delta, c. 1970, de Arpad, obra que nunca tinha saído das reservas.






Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti


http:// www.dn.pt /artes/ interior/ arte-vudu-e-macumba-no-museu-vieira-da-silva-5448028.html

Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

O tempo voa, obras de arte são para a eternidade, sem rugas!












--in via tradutor do google
Voodoo Art and Macumba in Vieira da Silva Museum

Richard Treger and Antonio Saint Silvestre, the two collectors for over 30 years began the gross and unique art collection that can be seen in Oliva Creative Factory in São João da Madeira | GONÇALO VILLAVERDE / GLOBAL IMAGES
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When join carved pieces of wood, old gas canisters and nails in the form of angels and devils, that's ... voodoo art. To see in Lisbon until January.

There are dolls with pins stuck, but there Macumba at the entrance of the temporary exhibition hall of the Museum Arpad Szenes-Vieira da Silva, in Lisbon, transformed into a kind of small chapel. The painting, done in 1946 by Maria Helena Vieira da Silva in exile in Brazil, serves as the motto for the exhibition of 29 pieces of art of voodoo Treger collection / Saint Silvestre that here are shown until 22 January 2017.

All from Haiti and mostly bought in Nice, a local art dealer, as have Richard Treger and Antonio Saint Silvestre, the two collectors for over 30 years began the gross and unique art collection from May 2014 can be Oliva visited the Creative Factory in São João da Madeira. Go to Haiti to buy these works was not an option: "The French art dealer to whom we bought the last time I was there was to take ten men as bodyguards, and that before the 2010 earthquake, is now even worse" explains the Portuguese-Italian Antonio Saint Silvestre, born in Nampula, Mozambique, 52 years ago. The earthquake gave another dimension to this core: with Port au Prince museums to lose many of the works, these have become even rarer.

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Almost all the works have a religious character, mixing elements of Christianity, Hinduism, African and Amerindian beliefs. Something Antonio easily explained: "In voodoo, painting and sculpture are popular and traditional expressions of religious inspiration, and often used as a way to pass divine messages, as well as to celebrate historical events, religious ceremonies or to honor the characters of mythology voodoo ".

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Originating from the west coast of Africa, the cult voodoo extended to the Caribbean, especially Haiti, and South and North America through the slave trade. But the influences extend to the Western literary imagination: one of several figures of Christ this exhibition recalls the face of Don Quixote. It is one of the five parts of the Haitian Lionel Saint Eloi that, at age 66, "is considered one of the best artists of Haiti," stresses Richard Treger, a native of Zimbabwe who, after a career as a classical pianist, he devoted himself to art, and maintained, with Antonio, an art gallery in Paris for 20 years.

GONÇALO VILLAVERDE / GLOBAL IMAGES

Unexpected are also the materials used in this set of works: pieces of wood more or less carved to which artists, called bosmetal (metal workers) - "often without education or artistic training," contextualizes Antonio - joined cut sheet metal, for example, old petrol can, nails, springs, pots and pans, glass pieces. Among devils, angels and saints a great human figure holds the attention. "It's a bizango," said Antonio, adding, "They are mannequins warriors, made of sewn cloth and human bones unearthed from cemeteries." It is with undisguised enthusiasm that tells the story behind the creation of these warriors ". The secret society Bizango the voodoo cult in Haiti was founded in the nineteenth century by African slaves and these soldiers were created to symbolically fight against Napoleon's troops"

The surprise caused by these parts is one of the features that Anthony and Richard value since three decades ago began the gross and unique art collection, an option for art that is not governed by aesthetic currents in force, "outside the box" as they like to say.


In addition to this voodoo art exhibition, the Museum Arpad Szenes-Vieira da Silva also features a new installation of the permanent collection, making known to the public works that there have recently been depo-carried over. This is the case of painter's paintings come from the collection of art Parvalorem (the company that manages the assets of the former BPN), the collection of the New Bank and four new pictures of Arpad Szenes, his surrealist phase of the 1930s, deposited by a particular. For the last room saved a surprise: Près du Delta, c. 1970 Arpad, work that had never been out of reserves.

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