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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Actores relutantes no centro do palco. The New Americans Museum. --- Reluctant actors in the center of the stage. The New Americans Museum.

Não surpreendentemente, após as eleições, o Tenement Museum em Nova Iorque, um museu que conta a história da migração urbana na América, viu “um número sem precedentes" de comentários negativos sobre imigrantes vindos de visitantes (ler aqui). Não se trata de um incidente isolado. Outros museus, como o Idaho Museum ofBlack History ou The New Americans Museum tiveram recentemente actos racistas de vandalismo nas suas instalações.


Cuidado com os políticos que fazem emergir o pior em nós, pode-se pensar. Mas pode-se também acrescentar, cuidado com os museus que não conseguem ver a política no que fazem. Foi o que pensei ao ler o primeiro parágrafo da resposta de Zach Aaron (membro do conselho de administração do Tenement Museum) aos comentários negativos dos visitantes:

"Como membro do Conselho de Administração do Lower East Side Tenement Museum, tenho orgulho na nossa história de 28 anos de celebrar a vida e a cultura dos imigrantes - o que nos une como americanos, não o que nos divide. Esta é uma missão apolítica; desde a criação do museu, nunca endossámos um único candidato a um cargo público nem tomámos posição sobre legislação." (leia o texto completo)

A migração e as políticas de migração são profundamente políticas. Como um museu que conta esta história pode afirmar que a sua missão é "apolítica"? Porque é que este museu, considerando o seu tema, opta por não participar no debate público quando é discutida a legislação? E depois de analisar os resultados eleitorais, faz sentido para qualquer museu manter o foco “no que nos une como americanos" e não reconhecer e discutir as divisões na sociedade americana e as suas razões?

Porque é que que os museus fazem o que fazem? Porque é que coleccionam e preservam e estudam objectos? Na recente conferência do ICOM Europe, que teve lugar em Lisboa e onde se discutiu o papel e a finalidade dos museus nacionais, foi sublinhada a importância da partilha de conhecimento. Mas que tipo de conhecimento partilhamos e como? Considerando os recentes acontecimentos políticos na Grã-Bretanha, na França, na Holanda, na Polónia, na Hungria, na Áustria, para citar alguns, como podemos avaliar a partilha de conhecimento pelos museus nesses países (e em qualquer outro país)? Considerando as atrocidades que ocorrem neste momento na Síria, no Iémen ou em Mianmar - atrocidades tantas vezes antes vistas, que nos fizeram jurar repetidamente "nunca mais" -, devemos concluir que os museus falharam na sua missão?

Não cabe apenas aos museus construir um mundo melhor, é claro. Eles nunca vão fazer isso sozinhos, ainda assim, eles não podem continuar fingindo que estão separados da sociedade (e da política) e que não têm um papel a desempenhar. Penso, por isso, que há duas coisas que devem ser discutidas mais profundamente no sector dos museus:

Em primeiro lugar, embora o papel político dos museus seja hoje cada vez mais intensamente discutido, o mais amplo reconhecimento deste papel no mundo dos museus parece ser mais urgente do que nunca. Os museus não podem continuar a viver a ilusão de "neutralidade". Tornou-se mais que óbvio, considerando os exemplos mencionados acima, que, mesmo quando desejem permanecer no seu casulo e apresentar uma versão romantizada da história do mundo (da humanidade), a realidade atinge-os e os arrasta-os para o palco. Ao mesmo tempo, é preciso fazer um esforço para distinguir "político" de "partidário" (um equívoco aparente na resposta do Tenement Museum, mas que é generalizado, até entre os cientistas políticos - ler Political Science Call to Action), para que os museus possam traçar uma linha de acção coerente e responsável. Uma linha que seja também suficientemente clara e consciente, para conseguir resistir possíveis tentativas de aproveitamento partidário. Não é uma tarefa fácil, de todo, mas é certamente uma tarefa necessária.

O outro ponto que penso que merece mais atenção é a dissidência e o conflito. Faz sentido celebrar o que nos une, reconhecendo também a nossa diversidade. Ainda assim, devemos também reconhecer que este não é um processo pacífico e directo. Devemos reconhecer que envolver pessoas com pontos de vista opostos num diálogo - especialmente num diálogo que ocorre num museu - não é a tarefa mais fácil. A maioria das pessoas, ao sentir que as suas opiniões podem ser desafiadas, não deseja participar na conversa. É natural e expectável. Então, voltando à questão da partilha de conhecimento e do cumprimento da missão, não deveríamos reflectir sobre o que os museus têm feito até agora e como? Terão estado a partilhar histórias anódinas? Terão estado a conversar apenas com os convertidos? Poderão levar a discussão mais longe e envolver aqueles com pontos de vista diferentes? Isto será de alguma forma possível?


As perguntas estão-se a acumular. As leituras sugeridas a seguir ajudam a aprofundar a nossa reflexão.


Mais leituras:







Mais neste blog:















fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.










--in via tradutor do google
Reluctant actors in the center of the stage. The New Americans Museum.

Not surprisingly, after the elections, the Tenement Museum in New York, a museum that tells the story of urban migration in America, saw "unprecedented numbers" of negative comments about immigrants coming from visitors (see here). An isolated incident.Other museums such as the Idaho Museum of Black History or The New Americans Museum have recently had racist acts of vandalism in their facilities.

Beware of the politicians who make the worst emerge in us, one might think. But one can also add, beware of museums that can not see politics in what they do. This is what I thought of reading the first paragraph of the reply from Zach Aaron (a member of the board of directors of the Tenement Museum) to the negative comments of the visitors:

"As a Board Member of the Lower East Side Tenement Museum, I take pride in our 28-year history of celebrating the lives and culture of immigrants - what unites us as Americans, not what divides us. Since the creation of the museum, we have never endorsed a single candidate for public office nor have we taken a stand on legislation. " (Read the full text)

Migration and migration policies are deeply political. How can a museum that tells this story claim that its mission is "apolitical"? Why does this museum, considering its theme, choose not to participate in the public debate when the legislation is discussed? And after analyzing the election results, does it make sense for any museum to keep focus on "what unites us as Americans" and not recognize and discuss the divisions in American society and its reasons?

Why do museums do what they do? Why do they collect and preserve and study objects? At the recent ICOM Europe conference in Lisbon, where the role and purpose of national museums were discussed, the importance of knowledge sharing was underlined. But what kind of knowledge do we share and how? Considering the recent political events in Britain, France, Holland, Poland, Hungary, Austria, to name a few, how can we assess the sharing of knowledge by museums in these countries (and in any other country)? Given the atrocities that are occurring now in Syria, Yemen or Myanmar - atrocities so often seen before, which have repeatedly made us swear "never again" - should we conclude that museums have failed in their mission?

It is not only for museums to build a better world, of course. They will never do this alone, yet they can not continue pretending to be separated from society (and politics) and have no role to play. I therefore think that there are two things that should be discussed more deeply in the museum sector:

First, while the political role of museums is increasingly discussed today, the broadest recognition of this role in the world of museums seems to be more urgent than ever. Museums can not continue to live the illusion of "neutrality". It has become more than obvious, considering the examples mentioned above, that, even when they wish to remain in their cocoon and present a romanticized version of the history of the world (of humanity), reality strikes them and drags them to the stage. At the same time, an effort must be made to distinguish "political" from "partisan" (an apparent misconception in the Tenement Museum's response, but one that is widespread even among political scientists - see Political Science Call to Action) Museums to draw up a coherent and responsible course of action. A line that is also clear and conscious enough to be able to withstand possible attempts at partisan use. It is not an easy task, at all, but it is certainly a necessary task.

The other point that I think deserves more attention is dissent and conflict. It makes sense to celebrate what unites us, also recognizing our diversity. Still, we must also recognize that this is not a peaceful and direct process. We must recognize that involving people with opposing points of view in a dialogue - especially in a dialogue that takes place in a museum - is not the easiest task. Most people, when they feel their opinions can be challenged, do not want to participate in the conversation. It is natural and expected. So, back to the issue of knowledge sharing and mission fulfillment, should not we reflect on what museums have done so far and how? Have they been sharing anodyne stories? Have they been talking to converts only? Can they take the discussion further and involve those with different points of view? Is this in any way possible?

Questions are gathering. The following suggested readings help to deepen our thinking.


More readings:
Rebecca Herz, How do museums help create a better world?

Chris Whitehead, It is necessary to put the museums to speak of the present and to explain why one can not hunt Pokémon in Auschwitz

Sarah Swong and Jennifera Gersten, Notes for a movement: Classical music in Trump's America

Tiffany Jenkins, Politics are on exhibit at migration museums, not history

Liz Vogel, Facing ourselves is not easy

Talya Zax, During fraught immigration debate, Tenement Museum pushes for inclusiveness



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