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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Village Piyulaga of the Wauja people, in the Upper Xingu,, received solar panels in the house of the water pump, health post and seed house. --- Aldeia Piyulaga do povo Wauja, no Alto Xingu, recebeu placas solares na casa da bomba d'água, posto de saúde e casa de sementes.

Source: Sergio Bairon - USP - (He is a Lecturer at the School of Communication and Arts of the University of São Paulo, Brazil).

Photo: Todd Southgatte / ISA.


Inhabitants of the Xingu Indigenous Park, the Wauja are notorious for the uniqueness of their ceramics, the graphics of their baskets, their feathered art and ritual masks. In addition to the richness of their material culture, these people have a complex and fascinating myth-cosmology, in which the bonds between animals, things, humans and extrahuman beings permeate their conception of the world and are crucial in the practices of shamanism .

The Waujá inhabit the vicinity of the Piyulaga lagoon, which can be translated as "place" or "fishing camp", and which also gives the name to the village. The lagoon is connected by a channel on the right bank of the lower Batovi River, in the western region of the basin of the Xingu river formations in the state of Mato Grosso, Brazil.

The first historical news about the Wauja was recorded by the German ethnologist Karl von den Steinen in the diary of his first expedition to Central Brazil on August 24, 1884, when he was passing through the fourth and last Bakairi village of the Batovi river: "we did, , Our inquiries about other existing tribes.We were clearly aware that the custenaus and trumais were found in the lower river.We could not understand what they meant by "vaurá. (Steinen 1942: 211) A week later he obtained confirmation among the Suyá - who drew a hydrographical map, in which most of the tribes of the Upper Xingu were represented (Steinen 1942: 255). That "Vaura" was a large group inhabiting the lower Bavi.

The history of these Arawak-speaking people in the region of the Xingu river basin began, however, at least a thousand years before the arrival of Karl von den Steinen.

Archaeological investigations in the Upper Xingu, initiated by Dole (1961/1962), advanced significantly in the 1990s with the work of Heckenberger (1996), which allowed to draw a precise and extensive picture of the sociocultural changes and continuities in this enormous and archeologically little Area of ​​southern Amazonia.

The Arawak-Wauja and Mehinako-language peoples who now inhabit this region are the direct descendants of various immigrant groups from the extreme southwest of the Amazon Basin and who established the first Xingu villages from the 800s and 900s. The nature of the remains and the Radiocarbon dating between the years 1000 and 1600 point to an occupation characterized by a predominantly sedentary settlement pattern based on large and populous circular villages (40 to 50 acres) with central square, extensive landscape transformations, construction of works Villages - ditches, palisades and high land routes - and by a particular ceramic technology to that region since that date (Heckenberger 2001).

Ceramics is one of the technological and artistic domains of greater interpretive force on pre-Cabral history. In the Alto Xingu, the domestic equipment has remained practically the same since the last 1000 years, evidencing an impressive cultural continuity. Beiju beakers, tapered holders and large round or flat extroverted edge cookware continue to be intensely manufactured and used by the Wauja.

These evidences found in the Arawak sites of the Xingu formers' basin are much more than isolated cases, they are very closely associated with a series of other sites of similar characteristics distributed by an extensive "corridor" of the southern periphery of the Amazon - Mojos (Bolivia) to the Alto Xingu, passing through Alá Madeira and including Alto Acre -, pointing to a co-evolution of arawak cultural systems around the year 1000 (Heckenberger 1996).

The central and globalizing feature of these Arawak systems is "regional socio-political integration based on common culture and ideology and developed patterns of exchange (trade, marriage, visitation and intertribal ceremonialism)" (Heckenberger 2001: 31); I would still include the aspect of war alliances.

According to the evidence of the various excavated sites and the oral history of the Carib, it is known that by the middle of the eighteenth century the model of the multi-ethnic sociocultural system was already established. I must point out that in this area a research gap is still to be filled, it is the ethnohistory of relations between the Arawak and the Xingu Carib, the groups that gave rise to this multiethnic system.

Heckenberger (1996) did his research among the Kuikuro, a Carib group, so his interpretations are indebted to the views the Kuikuro have imprinted on Xingu history. Now it is necessary to follow the tracks of the last three Arawak groups who still preserve their oral history, the Wauja, the Mehinako and the Yawalapiti. Among the former, the only individuals capable of confidently conveying the stories of the past are in their last decade of life. The understanding of Xingu history will be richer as more points of view are confronted.

The study of rituals seems to be one of the best ways to do this, as demonstrated by the study by Menezes Bastos (1990) on the Yawari among the Kamayurá. Ritual music, for example, performatizes a very delicate "language of historicization" of relations among the Xinguans. For the Wauja, in particular, music is always history, whether it be about a recent past, involving simple facts of life, about encounters with other tribes, or about the time when animals were people and talking. The extensive study of the rituals will make it possible to clarify the strong hypotheses that indicate the Xingu social system based on an Arawak ideological basis, because in the rituals the updating elements of the "xinguanity label" and the stylization of social relations at the regional level, such elements are From the ethnographies available on the subject. Stritu sensu there are only two ethnographies that can be considered "complete" on the Xingu intertribal rituals, one by Agostinho (1974) and the other by Menezes Bastos (1990). There are a number of small articles and book chapters that describe partially or very partially various rituals of the Upper Xingu.












Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.







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Aldeia Piyulaga do povo Wauja, no Alto Xingu, recebeu placas solares na casa da bomba d'água, posto de saúde e casa de sementes. Foto: Todd Southgatte / ISA.

fonte: Sergio Bairon - USP - ( É Livre Docente pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Brasil, ) .

Habitantes do Parque Indígena do Xingu, os Wauja são notórios pela singularidade de sua cerâmica, o grafismo de seus cestos, sua arte plumária e máscaras rituais. Além da riqueza de sua cultura material, esse povo possui uma complexa e fascinante mito-cosmologia, na qual os vínculos entre os animais, as coisas, os humanos e os seres extra-humanos permeiam sua concepção de mundo e são cruciais nas práticas de xamanismo.

Os Waujá habitam as proximidades da lagoa Piyulaga, que pode ser traduzida por "lugar" ou "acampamento de pesca", e que também dá o nome à aldeia. A lagoa está ligada por um canal à margem direita do baixo rio Batovi, na região ocidental da bacia dos formadores do rio Xingu, estado do Mato Grosso.

A primeira notícia histórica sobre os Wauja foi registrada pelo etnólogo alemão Karl von den Steinen no diário de sua primeira expedição ao Brasil Central, no dia 24 de Agosto de 1884, quando passava pela quarta e última aldeia Bakairi do rio Batovi: "fizemos, ansiosos, nossas indagações a respeito de outras tríbus existentes. Ficamos sabendo claramente que os custenaús e os trumaís eram encontrados no baixo rio. Não conseguimos entender o que queriam dizer com "vaurá. Seria uma tríbu?" (Steinen 1942: 211). Uma semana mais tarde ele obteve a confirmação entre os Suyá - que lhe desenharam um mapa hidrográfico, no qual se encontravam representadas a maioria das tribos do Alto Xingu (Steinen 1942: 255) - de que "vaurá" era um grande grupo que habitava o baixo Baávi.

A história desse povo de língua arawak na região da bacia dos formadores do rio Xingu começou, no entanto, há pelo menos mil anos antes da chegada de Karl von den Steinen.

As investigações arqueológicas no Alto Xingu, iniciadas por Dole (1961/1962), avançaram significativamente na década de 1990 com o trabalho de Heckenberger (1996), o qual permitiu traçar um quadro preciso e extenso das mudanças e continuidades socioculturais nessa enorme e arqueologicamente pouco explorada área da periferia meridional da Amazônia.

Os povos de língua Arawak - Wauja e Mehinako - que hoje habitam essa região são os descendentes diretos de vários grupos imigrados do extremo sudoeste da bacia amazônica e que estabeleceram as primeiras aldeias xinguanas a partir dos anos 800 e 900. A natureza dos vestígios e as datações radiocarbônicas no intervalo entre o anos 1000 e 1600 apontam para uma ocupação caracterizada por um padrão de assentamento predominantemente sedentário baseado em grandes e populosas aldeias circulares (de 40 a 50 acres) com praça central, por amplas transformações da paisagem, pela construção de obras públicas destinadas à defesa das aldeias - valetas, paliçadas e caminhos terrestres elevados - e por uma tecnologia cerâmica particular a essa região desde a referida data (Heckenberger 2001).

A cerâmica é um dos domínios tecnológicos e artísticos de maior vigor interpretativo sobre a história pré-cabralina. No Alto Xingu, o equipamento doméstico mantém-se praticamente o mesmo desde os últimos 1000 anos, evidenciando uma impressionante continuidade cultural. Torradores de beiju, suportes cônicos e grandes panelas de bordas extrovertidas arredondados ou achatadas continuam sendo intensamente fabricadas e utilizadas pelos Wauja.

Essas evidências encontradas nos sítios arawak da bacia dos formadores do Xingu estão muito além de serem casos isolados, elas associam-se muito precisamente a uma série de outros sítios de características similares distribuídos por um extenso "corredor" da periferia meridional da Amazônia - precisamente de Mojos (Bolívia) ao Alto Xingu, passando pelo Alá Madeira e incluindo o Alto Acre -, apontando para uma co-evolução de sistemas culturais arawak por volta do ano 1000 (Heckenberger 1996).

O traço central e globalizador desses sistemas arawak é a "integração sociopolítica regional baseada em cultura e ideologia comuns e padrões desenvolvidos de troca (comércio, casamento, visitação e cerimonialismo intertribal)"(Heckenberger 2001: 31); eu incluiria ainda o aspecto das alianças de guerra.

De acordo com as evidências dos vários sítios já escavados e a história oral carib, sabe-se que em meados do século XVIII já estava consolidado o modelo do sistema sociocultural multiétnico atualmente conhecido. Devo salientar que nessa área uma lacuna de investigação ainda está por ser preenchida, trata-se da etnohistória das relações entre os arawak e carib xinguanos, os grupos que deram origem a esse sistema multiétnico.

Heckenberger (1996) fez a sua pesquisa entre os Kuikuro, um grupo carib, portanto as suas interpretações são devedoras dos pontos de vista que os Kuikuro imprimiram na história xinguana. Agora é necessário seguir as trilhas dos três últimos grupos arawak que ainda preservam a sua história oral, os Wauja, os Mehinako e os Yawalapiti. Entre os primeiros, os únicos indivíduos capazes de transmitir, com segurança, as histórias do passado estão em sua última década de vida. O entendimento da história xinguana será mais rico quanto mais pontos de vista forem confrontados.

O estudo dos rituais parece ser um dos melhores caminhos para isso, como demonstra o estudo de Menezes Bastos (1990) sobre o Yawari entre os Kamayurá. A música ritual, por exemplo, performatiza uma delicadíssima "linguagem de historicização" das relações entre os xinguanos. Para os Wauja, em especial, a música é sempre história, seja ela sobre um passado recente, envolvendo fatos simples da vida, sobre encontros com outras tribos, ou sobre o tempo em que os animais eram gente e falavam. O estudo extensivo dos rituais permitirá esclarecer as fortes hipóteses que indicam o sistema social xinguano assentado sobre uma base ideológica arawak, isso porque está nos rituais os elementos atualizadores da "etiqueta da xinguanidade" e da estilização das relações sociais em nível regional, tais elementos são claramente depreendidos das etnografias disponíveis sobre o assunto. Stritu sensu existem apenas duas etnografias que podem ser consideradas "completas" sobre os rituais intertribais xinguanos, uma de Agostinho (1974) e a outra de Menezes Bastos (1990). Há uma série de pequenos artigos e capítulos de livros que descrevem parcialmente ou muito parcialmente vários rituais do Alto Xingu.

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