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sexta-feira, 28 de julho de 2017

MOTHER OF SANTO AUSTRÍAC POPULARIZES UMBANDA AND CANDOMBLÉ IN SWITZERLAND. - MÃE DE SANTO AUSTRÍACA POPULARIZA UMBANDA E CANDOMBLÉ NA SUÍÇA.

By Liliana Tinoco Baeckert, Swissinfo.ch - Iya Habiba is spiritual mentor of the Holy Land, named after the terreiro. With a background in psychotherapy, the mother of the saint believes that candomblé and umbanda can function as allies in the treatment of various ills: the connection with nature and the focus on the body as instruments of meditation help to break the bonds of today's inflexible society.


Austrian Astrid Habiba Kreszmeier, known as Iya Habiba, has been the mother of a saint in Switzerland since 2006; It is a pioneer and stands out in the religion of African roots for being white, European and for spreading in German-speaking Europe a practice taken to Brazil by slaves;



The Terra Sacres Terraces are present in Graz, Vienna, Berlin, Bern, Zurich and St. Gallen. Iya Habiba coordinates the six spaces, where he leads tours, guides rituals, forms other leaders and participates in spiritual healings, as well as other activities related to candomblé and umbanda. The numbers of participants surprise: the Sacred Land counts 77 mediums and an audience of 800 practitioners; In Switzerland there are 37 mediums and an audience of 500 people. The terreiro unites the tradition of the world of Orixás, Candomblé, Umbanda, Santeria and the tradition of natural cures from the Yoruba and Banto cultures, as well as psychotherapy, sociology of religions and philosophy.

Swissinfo.ch: Because you are Austrian, raised in Europe, how did you become a saint of Candomblé?

Iya Habiba: I never sought this religion because I did not even know it existed. As a psychotherapist focused on healing through body and nature, I found umbanda and candomblé. I have always focused my work on alternative paths, on non-rationalist philosophical perspectives. In this way, I went to a congress of Indigenous Traditions in 1992 in Morocco. There I had a magical and inspiring encounter with a Brazilian Holy Father, Father Buby, who gave a lecture on religion.

Later I participated in a workshop, where the message can be deepened. At that moment I felt the call. That same day, Father Buby wrote his contact on a small piece of paper, with an invitation to go to Bulle, here in Switzerland. This Father de santo already supervised a group in Geneva, the country's first terreiro. I was then invited to start in religion. I began to learn and study. He became, then, my master.

My initiation took 12 years. During this period, I went to Brazil several times, I did up to three trips a year. The trips to São Paulo, more precisely near Embu das Artes, where the Terreiro is located, included receiving teachings about rituals, customs and the strengthening of the spiritual tradition. I learned how to incorporate spiritual entities, such as lighting a candle, for example.

Swissinfo.ch: Why did you bring religion to Switzerland?

I.H .: Because the Orixás wanted it that way. When I started, I still lived in Austria. For personal reasons, I married a Swiss, I moved to the country. Here we had the opportunity to acquire a perfect home for religious practices. In Appenzellerland, in the village of Stein, we got this space, where, in 2006, we founded the first terreiro in the country. The land is isolated, has a river with spring, a large green space, where we can work well at will. Nature still provides a better connection with the divine. There we set up sacred altars to do the rituals.

It is a perfect environment for rhythmic dances and the incorporation of spiritual forces and healing trance, allowing the practice of non-linear time of a terreiro and the liberation of the moorings of the Swiss clock. In other terreiros within cities, we have to respect the law of silence and stop the batuques at 10 o'clock. The tours in Appenzellerland reach 40 people drumming.

Swissinfo.ch: And what is the relationship between psychotherapy and umbanda and candomblé?

I.H .: Religion follows an oral tradition, in which learning is passed by the body through practical experience. The belief is that each has its sacred ground, which is the connection of the body with nature and the planet. The very decision to acquire the house had to do with this premise. Spiritual time is not the same as chronological time. And it is precisely this unbridled attempt to adapt life to the exaggerated linear effort one of the causes of so many diseases. Many ills have their origin in inflexibility, in the imprisonment of ideas. Nature can hardly breathe in our modern life. The umbanda tradition opens space for a parallel world. In this other dimension, one meditates with the body.

Our society, however, has been trained for more than three thousand years to ignore the body's signals. Our way of living, our relationship with time, with speed and with the high level of information, disconnects us from our essence and does not give way to happiness. The pressure of subsistence, of paying, of possessing more and more, promotes the separation between the natural and creates a superficial field.

Swissinfo.ch: Who are the regulars and what is the relationship between religion and the migratory aspects?

I.H .: We have Brazilians, Portuguese, Swiss and other Europeans. There are regular regulars, who always go; And others more sporadic, appearing only two or three times a year. Berlin is now our newest tour. It is a city with enormous potential and many needs.

The relationship between religious practice and migrant status is enormous. I say this based on the issues addressed during the spiritual consultations. The migrants bring all their problems to the sessions. Finding work is usually a recurring theme. But in general people come for a variety of issues, ranging from illness, relationship problems, to domestic violence.













Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 

but what modifies the way of looking and hearing.












--br
MÃE DE SANTO AUSTRÍACA POPULARIZA UMBANDA E CANDOMBLÉ NA SUÍÇA.

Austríaca Astrid Habiba Kreszmeier, conhecida como Iya Habiba, é mãe de santo na Suíça desde 2006; ela é pioneira e se destaca na religião de raízes africanas por ser branca, europeia e por difundir na Europa de língua alemã uma prática levada para o Brasil pelos escravos;

Por Liliana Tinoco Baeckert, Swissinfo.ch - Iya Habiba é mentora espiritual do Terra Sagrada, nome do terreiro cuidado por ela. Com formação em psicoterapia, a mãe de santo acredita que o candomblé e a umbanda podem funcionar como aliados no tratamento de várias mazelas: a conexão com a natureza e o foco no corpo como instrumentos de meditação ajudam a quebrar as amarras da atual inflexível sociedade.

Os terreiros do Terra Sagrada estão presentes em Graz, Viena, Berlim, Berna, Zurique e St. Gallen. Iya Habiba coordena os seis espaços, onde lidera giras, orienta rituais, forma outros líderes e participa de curas espirituais, além de outras atividades ligadas ao candomblé e à umbanda. Os números de participantes surpreendem: o Terra Sagrada conta 77 médiuns e um público de 800 praticantes; na Suíça são 37 médiuns e um público de 500 pessoas. O terreiro une a prática da tradição do mundo dos Orixás, do Candomblé, da Umbanda, da Santeria e a tradição de curas naturais provenientes das culturas Iorubá e Banto, além da psicoterapia, sociologia das religiões e filosofia.

swissinfo.ch: Por ser austríaca, criada na Europa, como você se tornou Mãe de santo de Candomblé?

Iya Habiba: Eu nunca procurei essa religião, porque nem sabia que existia. Como psicoterapeuta focada na cura por meio do corpo e da natureza, encontrei a umbanda e o candomblé. Eu sempre foquei meu trabalho em caminhos alternativos, em perspectivas filosóficas não racionalistas. Dessa maneira, fui parar em um congresso de Tradições Indígenas, em 1992, no Marrocos. Lá eu tive um encontro mágico e inspirador com um Pai de Santo brasileiro, o Pai Buby, que proferiu uma palestra sobre a religião.

Posteriormente participei de um workshop, onde a mensagem pode ser aprofundada. Nesse momento eu senti o chamado. Nesse mesmo dia, Pai Buby escreveu seu contato em um pedacinho de papel, com um convite para eu ir até Bulle, aqui na Suíça. Esse Pai de santo já supervisionava um grupo em Genebra, o primeiro terreiro do país. Fui então convidada para me iniciar na religião. Comecei a me inteirar e a estudar. Ele veio a ser, então, o meu mestre.

Minha iniciação demorou 12 anos. Durante esse período, eu fui ao Brasil várias vezes, cheguei a fazer até três viagens por ano. As idas a São Paulo, mais precisamente perto de Embu das Artes, onde fica o Terreiro, incluíam receber ensinamentos sobre os rituais, costumes e o fortalecimento da tradição espiritual. Aprendi como se dá a incorporação de entidades espirituais, como acender uma vela, por exemplo.

swissinfo.ch: Por que trouxe a religião para a Suíça?

I.H.: Porque os Orixás quiseram assim. Quando comecei, eu vivia ainda na Áustria. Por motivos pessoais, me casei com um suíço, me mudei para o país. Aqui tivemos a oportunidade de adquirir uma casa perfeita para as práticas religiosas. Em Appenzellerland, no vilarejo de Stein, conseguimos esse espaço, onde, em 2006, fundamos o primeiro terreiro no país. O terreno é isolado, conta com um rio com nascente, um amplo espaço verde, onde podemos trabalhar bem à vontade. A natureza propicia ainda uma melhor conexão com o divino. Ali montamos altares sagrados para fazermos os rituais.

É um ambiente perfeito para as danças ritmadas e a incorporação de forças espirituais e transe de cura, possibilitando a prática do tempo não linear de um terreiro e a libertação das amarras do relógio suíço. Em outros terreiros dentro de cidades, temos que respeitar a lei do silencio e parar os batuques às 22 horas. As giras em Appenzellerland chegam a reunir 40 pessoas tocando tambor.

swissinfo.ch: E qual a relação entre a psicoterapia e a umbanda e o candomblé?

I.H.: A religião segue uma tradição oral, na qual o aprendizado é passado pelo corpo, pela experiência prática. A crença é a de que cada um tenha a sua terra sagrada, que é a conexão do corpo com a natureza e o planeta. A própria decisão de adquirir a casa teve a ver com essa premissa. O tempo espiritual não é o mesmo que o cronológico. E é exatamente essa tentativa desenfreada de adaptar a vida ao esforço linear exagerado uma das causas de tantas doenças. Muitas mazelas têm origem na inflexibilidade, na prisão das ideias. A natureza quase não pode respirar na nossa vida moderna. A tradição da umbanda abre espaço para um mundo paralelo. Nessa outra dimensão, medita-se com o corpo.

A nossa sociedade, no entanto, vem sendo treinada há mais de três mil anos a ignorar os sinais do corpo. A nossa forma de viver, a nossa relação com o tempo, com a velocidade e com o alto nível de informação, nos desconecta da nossa essência e não dá espaço à felicidade. A pressão da subsistência, de pagar, de possuir cada vez mais, promove a separação entre o natural e cria um campo superficial.

swissinfo.ch: Quem são os frequentadores e qual a relação entre a religião e os aspectos migratórios?

I.H.: Temos brasileiros, portugueses, suíços e outros europeus. Há frequentadores regulares, que vão sempre; e outros mais esporádicos, que aparecem somente duas ou três vezes por ano. Berlim é agora a nossa mais nova gira. É uma cidade com um enorme potencial e muitas necessidades.

A relação entre a prática religiosa e a condição de migrante é enorme. Eu digo isso com base nas questões abordadas durante as consultas espirituais. Os migrantes trazem toda sua problemática para as sessões. Encontrar trabalho é geralmente um tema muito recorrente. Mas em geral as pessoas vêm por assuntos dos mais variados possíveis, que vão desde doenças, problemas de relacionamento, à violência doméstica.

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