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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lei estadual reconhece humor do Ceará, Brasil, como patrimônio imaterial.

Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante têm em comum o fato de serem humoristas consagrados no Brasil. Não por acaso, os três são nascidos no Ceará, estado onde o humor, por meio de lei estadual sancionada semana passada, passou a ser considerado um bem cultural de natureza imaterial.


A esse trio de artistas, segue uma lista extensa de outros nomes do humor cearense, entre eles Falcão, Tiririca, Rossicléa, Adamastor Pitaco e, mais recentemente, Edmilson Filho, que ficou nacionalmente conhecido nos últimos anos ao protagonizar os filmes Cine Holliúdy (2012) e Shaolin do Sertão (2016).

A história antiga e recente do humor estão expostas de diversas formas no Museu do Humor, localizado em Fortaleza. “Este é um museu vivo, pois está sempre se renovando. A história do humor nunca acaba”, disse o historiador e humorista Jader Soares, que interpreta o personagem Zebrinha. No escritório do museu, estão peças utilizadas em Cine Holliúdy 2, que só serão expostas após o lançamento do filme.

Origem do humor

De sua autoria, o livro Paula Nei: o primeiro humorista brasileiro (2015) afirma que este cearense, natural de Aracati, foi a primeira pessoa a fazer humor no país, especialmente no Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 17 anos.

Um dos notórios causos contados no livro revela que Nei, então estudante de medicina, respondia uma prova de anatomia. O professor, já sabendo que as respostas não teriam nada a ver com o conteúdo correto, perguntou: “Diga-me, ao menos, senhor Nei, quantos ossos têm o crânio de um homem?” O estudante respondeu: “Não me recordo, professor, mas tenho-os todos aqui na cabeça.”

Logo na entrada do museu, uma representação da Praça do Ferreira, com seus bancos, a Coluna da Hora e o Cajueiro da Mentira (que já não existe mais) informam que lá foi um centro efervescente de humor e cultura no começo do século XX.

Há também o desenho de um sol alaranjado que reconta o dia em que o povo vaiou a grande estrela, decepcionados com a falta de chuva. O fato ocorreu em 1942 e foi repercutido em 2012, nos 70 anos da história, com um concurso promovido pelo museu, que oferecia um troféu àquele que desse a melhor vaia.

Há ainda uma réplica do bode Ioiô, um animal que passeava pela praça e era querido por todos – tanto que os escritores e boêmios que frequentavam o espaço resolveram tornar o bode candidato a vereador.

Seu cabo eleitoral era Quintino Cunha, outro precursor do humor cearense, que acolhia o animal em sua casa, no centro de Fortaleza. O bode Ioiô original, empalhado depois de morto, está exposto no Museu do Ceará.

Chico Anysio

Duas salas expõem a memória de Chico Anysio e de seus 209 personagens, em especial o Professor Raimundo. Uma das salas exibe o jaleco, a peruca e o bigode usado pelo artista nas gravações do programa Escolinha do Professor Raimundo. Em outra está exposta a urna funerária onde as cinzas de Chico foram transportadas.

“Chico Anysio dizia que, por conta do sofrimento, o humor era o jeito de o cearense extravasar. Não sei se é isso. Acho que o brasileiro, de forma geral, é muito alegre. O nordestino é muito gaiato e o cearense consegue colocar essa alegria no palco. Todo mundo conta piada no bar, mas, na hora de subir num palco para fazer isso, o cearense é quem melhor faz. Nós influenciamos outros estados”, afirmou Soares.

O Museu do Humor funciona de segunda a sábado, entre 13h e20h e conta com um teatro, batizado de Chico Anysio. Semanalmente, nas noites de sexta-feira, o palco é tomado pelas apresentações de diferentes humoristas cearenses.







Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 
but what modifies the way of looking and hearing.

Joslyn Art Museum's European collection reopens with a fresh look and a cleaner narrative. --- A coleção européia do Museu de Arte Joslyn se reabre com um olhar fresco e uma narrativa mais limpa.

The galleries had grown tired, and the story confused.

Some new additions to the Joslyn Art Museum's European
collection can be enjoyed now that the renovation of the European galleries is complete. 




For the Joslyn Art Museum’s European collection — which reopens today after three months of renovations — it was time for a reboot.

The five galleries that hold the 100-plus priceless objects (including one Rembrandt) hadn’t been updated since 2000. Some of the new upgrades are cosmetic: a fresh coat of paint, refinished floors, installation of temporary, movable walls. But the changes run much deeper.

In revamping the collection, the museum — which each year hosts about 180,000 visitors — has restored narrative continuity to hundreds of years of art history. Now, visitors walking through the five galleries are told a complete, chronological story. A story that begins with medieval, Renaissance and Baroque artists and winds through the 18th and 19th century works of French and British painters to conclude with impressionism and the beginnings of modernism.

Over the years the collection had lost track of its story. This change happened incrementally.

“Things shift around,” said Toby Jurovics, chief curator. “You might make an acquisition, something gets knocked off the wall for something else. And at a certain point you kind of lost that thread.”

Jack Becker, the museum’s executive director and CEO, said they realized years ago they needed to rediscover that thread.

“This was something we wanted to do for a long time,” he said. But the galleries “needed a fresh approach. Dana was the right person to do it.”

Dana is Dana Cowen, who came to the Joslyn from the Cleveland Museum of Art in February 2015. One of her chief roles as the associate curator of European art was the collection’s reinstallation.

“My goal was to first figure out how to hang everything so that it followed a narrative,” she said. “So that it was easy for people to understand that artwork comes from a certain context and that it’s not created in a vacuum. That artists are influenced by one another.”

For more than two years Cowen has been researching every item in the collection (and many in storage) and working to refine the overall picture the pictures present.

On her office wall, Cowen has floor plans representing each of the five galleries and images of every painting and statue in the collection. Cowen spent countless hours mixing and matching and finding the ideal order for the objects.

“Dana could pretty much write a book on every painting in the collection,” Jurovics said.

Which made paring down the labels to 120 words or less a sometimes painful process. Cowen had to dice the windy descriptions on previous labels into something more digestible and appealing to folks who don’t know much about art history — to “say a lot with a little.”

Preparing for the installation, the Joslyn held visitor engagement focus groups and surveys, asking participants to assess the layout of the galleries, the quality of the information, the desirability of integrating technology into the space.

Ages and responses of the survey participants ran the gamut, Cowen said. Younger people surveyed wanted greater accessibility. They wanted information to be presented more quickly and less esoterically. Handy little labels with bullet-pointed info instead of verbose introductory panels.

Also in response to the feedback, the makeover will incorporate tech applications for individual items, a first for the museum. Three objects will come with interactive iPad stations that reveal further layers of the work. One is the collection’s star: Rembrandt van Rijn’s “Portrait of Dirck van Os,” a piece discovered in storage a few years ago.

The iPad station will focus on the painting’s journey, how it came into the collection and was later found to be the work of one of the most important artists ever.

The interactive, Cowen said, will show “how all objects that come into the museum have lives and how they change over time.”

The tech initiatives, which could ripple through other areas of the Joslyn, are a way to entice the modern museumgoer. “One of the things that every museum is now very cautious of is how people digest information,” Jurovics said.

The museum also knows this: Time and attention are in shorter supply these days, and the museum needs to stay competitive for each. The big question, said executive director Becker: Why should you care about the Joslyn Art Museum?

“Why are we relevant?” he said. “We think about this a lot, about how to increase relevance and reach.”

Things like free admission help the museum’s attendance. Things like reinstallations. Things like letting visitors know they are welcome.

“Art museums by nature are intimidating places,” Becker said. “We try every day to ensure we’re not.”






Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 
but what modifies the way of looking and hearing.





--br via tradutor do google
A coleção européia do Museu de Arte Joslyn se reabre com um olhar fresco e uma narrativa mais limpa.

As galerias cresceram e a história ficou confusa.

Para a coleção européia do Museu de Arte Joslyn - que reabre hoje após três meses de reformas - era hora de uma reinicialização.

As cinco galerias que possuem mais de 100 objetos valiosos (incluindo um Rembrandt) não foram atualizadas desde 2000. Algumas das novas atualizações são cosméticas: uma camada fresca de tinta, pisos refinados, instalação de paredes móveis temporárias. Mas as mudanças correm muito mais fundo.

Ao renovar a coleção, o museu - que anualmente abriga cerca de 180 mil visitantes - restaurou a continuidade narrativa de centenas de anos de história da arte. Agora, os visitantes que atravessam as cinco galerias recebem uma história cronológica completa. Uma história que começa com artistas e ventos medievais, renacentistas e barrocos através das obras dos pintores franceses e britânicos dos 18 e 19 de século para concluir com o impressionismo e os começos do modernismo.

Ao longo dos anos, a coleção perdeu a noção de sua história. Essa mudança aconteceu de forma incremental.

"As coisas mudam", disse Toby Jurovics, curador chefe. "Você pode fazer uma aquisição, algo é derrubado da parede para outra coisa. E, em certo ponto, você perdeu esse fio.

Jack Becker, diretor executivo e diretor executivo do museu, disse que percebeu que há anos que precisava redescobrir esse fio.

"Isso era algo que queríamos fazer por um longo tempo", disse ele. Mas as galerias "precisavam de uma nova abordagem. Dana era a pessoa certa para fazê-lo. "

Dana é Dana Cowen, que veio ao Joslyn do Museu de Arte de Cleveland em fevereiro de 2015. Um dos seus principais papéis como curador associado da arte européia foi a reinstalação da coleção.

"Meu objetivo era primeiro descobrir como pendurar tudo para que ele seguisse uma narrativa", disse ela. "Então, foi fácil para as pessoas entenderem que a obra vem de um determinado contexto e que não é criada no vácuo. Que os artistas são influenciados um pelo outro ".

Por mais de dois anos Cowen tem pesquisado cada item na coleção (e muitos em armazenamento) e trabalhando para refinar a imagem geral das fotos presentes.

Na parede do escritório, Cowen tem planos de chão representando cada uma das cinco galerias e imagens de cada pintura e estátua da coleção. Cowen passou inúmeras horas misturando e combinando e encontrando a ordem ideal para os objetos.

"Dana poderia muito bem escrever um livro sobre cada pintura na coleção", disse Jurovics.

O que reduziu os rótulos para 120 palavras ou menos, um processo às vezes doloroso. Cowen teve que cortar as descrições ventosas em rótulos anteriores em algo mais digerível e atraente para pessoas que não sabem muito sobre a história da arte - "dizer muito com um pouco".

Preparando-se para a instalação, o Joslyn realizou grupos focais de envolvimento de visitantes e pesquisas, perguntando aos participantes para avaliar o layout das galerias, a qualidade da informação, a conveniência de integrar a tecnologia no espaço.

A idade e as respostas dos participantes da pesquisa correu completamente, disse Cowen. As pessoas mais jovens pesquisadas queriam maior acessibilidade. Eles queriam que a informação fosse apresentada mais rapidamente e menos esotericamente. Handy rótulos com informações marcadas com bala em vez de painéis introdutórios detalhados.

Também em resposta ao feedback, a reforma incorporará aplicativos de tecnologia para itens individuais, um primeiro para o museu. Três objetos virão com estações de iPad interativas que revelam outras camadas do trabalho. Uma é a estrela da coleção: o "Retrato de Dirck van Os" de Rembrandt van Rijn, uma peça descoberta em armazenamento há alguns anos atrás.

A estação do iPad se concentrará na jornada da pintura, como ela entrou na coleção e mais tarde foi encontrada como o trabalho de um dos artistas mais importantes de todos os tempos.

O interativo, Cowen disse, mostrará "como todos os objetos que entram no museu têm vidas e como eles mudam ao longo do tempo".

As iniciativas tecnológicas, que poderiam atravessar outras áreas do Joslyn, são uma forma de seduzir o museu moderno. "Uma das coisas que cada museu agora é muito cautelosa é como as pessoas digerem informações", disse Jurovics.


O museu também sabe disso: o tempo ea atenção estão em oferta mais curta atualmente, e o museu precisa se manter competitivo para cada um. A grande questão, disse o diretor executivo Becker: Por que você deveria se preocupar com o Joslyn Art Museum?

"Por que somos relevantes?", Ele disse. "Nós pensamos muito sobre isso, sobre como aumentar a relevância e alcance".

Coisas como admissão gratuita ajudam o atendimento do museu. Coisas como reinstalações. Coisas como informar os visitantes de que são bem-vindos.

"Os museus de arte por natureza são lugares intimidantes", disse Becker. "Nós tentamos todos os dias para garantir que não estamos".

Micah.mertes@owh.com, 402-444-3182, twitter.com/micahmertes

Feast of Divino Espirito Santo unites Azorean faith and tradition in São José, Florianópolis, Santa Catarina, Brazil. --- Festa do Divino Espirito Santo une fé e tradição açoriana em São José, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Community of Portuguese origin decorates the streets and houses of the Historic Center and strives to keep alive one of the most important cultural and religious manifestations of the State

Carrying the red flag with the religious symbols of the Holy Trinity fills the retired João Arcanjo dos Santos, 86 years of pride. Açoriano de sangre, raised in São José, in Greater Florianópolis, he participates in the celebrations of the Divine Holy Spirit, of the Catholic Church, 40 years ago. "Always bringing faith and hope to the houses visited. The flag is a source of inspiration, it completes the soul, fills our hearts, "he says.

João Arcanjo dos Santos walks the streets of the neighborhood
next to the Imperial Family and the fellow Bandeirantes do Divino - Flávio Tin / ND

The dream of childhood, to participate in the courtship of the Divine as a bandeireiro, his little one, as it is known, took place in 1984. In that year, a friend who would carry the symbol became ill and the responsibility was passed on to the retiree. "I was sad for her, but I accepted at the time because I dreamed a lot with this moment and realized it in life. Every year I carry the flag, I go from house to house, I go up and down hill in the greatest happiness, "he says.

The tradition of the Feast of the Divine Espirito Santo arrived in the municipality with the 182 couples brought from the Archipelago of the Azores, at the time of colonization. In the Historical Center the houses are decorated every year, just after Easter Sunday. They are colorful ribbons and miniatures of the traditional Flag of Espirito Santo. Every year, a set of 19 red flags cross the Portuguese house to call the community for the festivities. "This year we changed their fabric again. They were decorated by hand with paintings of the white dove of the Holy Spirit. Many people helped paint, "says retired Maria Luci dos Santos Gerlach, 75.

The mission of the Imperial Family

Recognized as Intangible Heritage of the Municipality, the 167th Feast of the Divine of St. Joseph begins next Saturday (27) and ends on Monday (29), in the Parish of St. Joseph, in the Historic Center. The Imperial Family chosen to organize the party this year was the councilor Caê Martins and his mother, Maria Helena de Souza Martins. Together, they promise to reinforce the symbol of the Divine: renewal and peace on earth.

"The festivities of the Divine involve every community because in addition to the event is very strong tradition passed by the Azoreans. As partygoers, we seek to motivate, organize everything and encourage people. We fought for support, we got help, but the important thing is to keep strong what this represents in our lives, which is light, peace, love and faith, "says the councilman.

The Feast of the Divine was born in 1826, with a promise from the Queen of Portugal that her husband and son would stop fighting. For her, a commoner would wear the royal crown once a year. Following tradition, in 1845, a crown was donated by the Royal Family to St. Joseph of the Terra Firme, old name of the city. Heavy and imposing, the object is passed, year after year, to the emperor of the feast and used during the procession.
A second heart is also used. It is much lighter, but not less imposing and was donated by a couple of Azoreans, who brought it direct from Portugal.

A sacred place for the Flag

It is in bed, under the neat sheet, that the flag of the Holy Spirit of Rosinha Apolónia Koerich, 73 years old, stays when she leaves home. Leaving it in the room where you sleep is a way to bless the environment. Açoriana of unwavering faith, she recognizes in the red cloth the great symbol of the devotion of the community. "There were many achievements thanks to him. I speak with the flag, with the objects that I have affection and symbolize my devotion. For me, it is present all the time and never leaves me, "he says. Before bed, she takes the mast and places it in the living room, in the blessed corner.

What is not lacking in the Azorean houses of Saint Joseph is the sacred place, especially set up for the Divine. In the house of Eliete Gerlach Rila, 70, the family, gathered for Sunday lunches, dedicates a few minutes in prayer to the Holy Spirit. "It is a force that floods with light, calms, welcomes us, is inexplicable. I always wanted to get involved in the event, I started last year and I'm in love, "he says.

In the door, window or table of the most traditional residences it is easy to find some item that refers to the festivities. The decor helps the locals get into the mood and wait for the day of the party. For the retired Veneranda Chaves, 71, it is important to highlight what the Divine is for the neighborhood. "We were so happy to participate, to take the flag, because it is a way of thanking everything that did for us", says.




fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

Collaboration: BRUNELA MARIA, SÃO JOSÉ


Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 
but what modifies the way of looking and hearing.





--br
Festa do Divino Espirito Santo une fé e tradição açoriana em São José, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.


Comunidade de origem portuguesa decora as ruas e casas do Centro Histórico e luta para manter viva uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas do Estado



Carregar a bandeira vermelha com os símbolos religiosos da Santíssima Trindade enche de orgulho o aposentado João Arcanjo dos Santos, 86 anos. Açoriano de sangue, criado em São José, na Grande Florianópolis, ele participa das comemorações do Divino Espirito Santo, da Igreja Católica, há 40 anos. “Sempre levando fé e esperança às casas visitadas. A bandeira é fonte de inspiração, nos completa a alma, preenche os corações”, afirma.


João Arcanjo dos Santos percorre as ruas do bairro ao lado da Família Imperial 
e das colegas bandeireiras do Divino - Flávio Tin/ND


O sonho de infância, de participar do cortejo do Divino como bandeireiro, seu Joquinha, como é conhecido, realizou em 1984. Naquele ano, uma amiga que iria carregar o símbolo ficou doente e a responsabilidade foi repassada ao aposentado. “Fiquei triste por ela, mas aceitei na hora porque sonhei muito com esse momento e realizei em vida. Todos os anos carrego a bandeira, vou de casa em casa, subo e desço morro na maior felicidade”, comenta.

A tradição da Festa do Divino Espirito Santo chegou ao município com os 182 casais trazidos do Arquipélago dos Açores, na época da colonização. No Centro Histórico as casas são decoradas todos os anos, logo depois do domingo de Páscoa. São fitas coloridas e miniaturas da tradicional Bandeira do Espirito Santo. Todos os anos, um conjunto de 19 bandeiras vermelhas percorre o casario português para convocar a comunidade para os festejos. “Esse ano trocamos o tecido delas novamente. Elas foram decoradas à mão com pinturas da pomba branca do Espirito Santo. Muitas pessoas ajudaram a pintar”, diz a aposentada Maria Luci dos Santos Gerlach, 75 anos.

A missão da Família Imperial 

Reconhecida como Patrimônio Imaterial do Município, a 167a Festa do Divino de São José começa no próximo sábado (27) e termina na segunda-feira (29), na Paróquia de São José, no Centro Histórico. A Família Imperial escolhida para organizar a festa este ano foi a do vereador Caê Martins e sua mãe, Maria Helena de Souza Martins. Juntos, eles prometem reforçar o símbolo do Divino: renovação e paz na terra.

“Os festejos do Divino envolvem toda comunidade porque além do evento é muito forte a tradição repassada pelos açorianos. Como festeiros, buscamos motivar, organizar tudo e incentivar as pessoas. Batalhamos por apoio, obtivemos ajuda, mas o importante é manter forte o que isso representa em nossas vidas, que é luz, paz, amor e fé”, diz o vereador.

A Festa do Divino nasceu em 1826, com uma promessa da rainha de Portugal para que seu marido e filho parassem de brigar. Por ela, um plebeu usaria a coroa real uma vez por ano. Seguindo a tradição, em 1845, uma coroa foi doada pela Família Real à São José da Terra Firme, antigo nome da cidade. Pesado e imponente, o objeto é passado, ano após ano, ao imperador da festa e usado durante o cortejo.
Uma segunda cora também é usada. Ela é bem mais leve, mas não menos imponente e foi doada por um casal de açorianos, que a trouxe direto de Portugal.

Um lugar sagrado para a Bandeira 

É na cama, sob o lençol arrumado, que a bandeira do Divino Espírito Santo de Rosinha Apolônia Koerich, 73 anos, fica quando ela sai de casa. Deixar no quarto onde dorme é uma forma de abençoar o ambiente. Açoriana de fé inabalável, ela reconhece no pano vermelho o grande símbolo da devoção da comunidade. “Foram muitas conquistas graças a ele. Eu converso com a bandeira, com os objetos que tenho carinho e simbolizam minha devoção. Para mim, está presente o tempo todo e nunca me abandona”, salienta. Antes de dormir, ela pega o mastro e coloca na sala, no cantinho abençoado.

O que não falta nas casas açorianas de São José é o lugar sagrado, montado especialmente para o Divino. Na casa de Eliete Gerlach Rila, 70, a família, reunida para os almoços de domingo, destina uns minutos em oração ao Espírito Santo. “É uma força que inunda de luz, acalma, nos acolhe, é inexplicável. Sempre quis me envolver no evento, comecei ano passado e estou apaixonada”, comenta.

Na porta, janela ou mesa das residências mais tradicionais é fácil encontrar algum item que remete aos festejos. A decoração ajuda os moradores a entrar no clima e esperar o dia da festa. Para a aposentada Veneranda Chaves, 71, é importante destacar o que é o Divino para o bairro. “Ficamos tão felizes em participar, levar a bandeira, porque é uma forma de agradecer tudo que fez por nós”, diz.