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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Arqueólogos removem urna funerária de 2 mil anos para laboratório da Ufam - Universidade Federal do Amazona, Brasil.

MANAUS, Amazonas, Brasil - Um equipe de arqueólogos e técnicos em arqueologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), do Projeto VZL-Ufam (Programa de Valorização do Património Cultural e Preservação Arqueológica na Zona Leste de Manaus), coordenado pela arqueóloga Helena Pinto Lima, retirou, na tarde de quinta-feira, 29, a primeira de duas urnas funerárias indígenas em um sítio arqueológico, 110 bairro Colónia Antônio Aleixo, na zona leste de Manaus. O material de cerca de 2 mil anos, de acordo com os cálculos preliminares da equipe, foi localizado na Rua Padre Mário, na Comunidade 11 de Maio.

Retirada da uma ilidi geia foi acompanhado
por moradores da Colônia Antônio Aleixo (Fotos: Valter Calheiros)

O colaborador do AMAZONAS ATUAL, Valter Calheiros, realizou o registro fotográfico pelo projeto PZL-Ufam da retirada da primeira urna. Ele acompanhou todo o trabalho durante os três dias (27 a 29) e disse que a comunidade ficou muito emocionada 110 momento em que um guindaste suspendeu a urna, que mede cerca de 1 metro de diâmetro e 70 a 73 centímetros de altura. A medida exata ainda não foi feita porque a urna de cerâmica foi retirada com parte do solo.

De acordo com o arqueólogo Carlos Augusto Silva, o material foi conduzido para o Laboratório de Arqueologia da Ufam, na ala sul do Campos Universitário, onde receberá tratamento, como a retirada do solo que cobre a cerâmica e, posteriormente, será aberta. "Esse tipo de material arqueológico geralmente tem restos humanos, mas não podemos afirmar com certeza. Só depois de aberta a urna", disse Silva.

O material encontrado é denominado "paredão" pela arqueologia. O nome, segundo Silva, foi dado pelo arqueólogo alemão Peter Paul Hilbert, que realizou trabalhos de arqueologia na Amazónia nas décadas de 1940 a 1960.

Carlos Algusto Silva explicou que a Colónia António Aleixo é um complexo arqueológico, com material comprovado tanto na margem direita quanto na esquerda do Lago do Aleixo. As duas urnas encontradas nesta semana estavam na marge direita e há indícios de que outras podem ser encontradas nas proximidades, porque geralmente o ritual fúnebre dos povos que habitavam a região no período pré-colombiano fazia a disposição das urnas em círculo.

A segunda urna já identificada pela equipe da Ufam será retirada a partir da próxima quarta-feira, 4 de novembro. Depois da retirada e da limpeza das urnas, segundo Silva, o material será aberto, o que deve ocorrer no dia 15 de novembro. "Se for identificado osso, vem uma especialista de fora, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Sào Paulo, porque não temos arqueólogos em Manaus para fazer esse tipo de identificação", disse Silvia.

O arqueólogo amazonense afirma que a sociedade brasileira tem um tratado bilateral com outros países para a preservação do património ancestral. "Esse trabalho de identificação tem uma importância significativa, porque a partir dela, podemos contar a história dos nossos ancestrais. A história do Brasil é contada só a partir da era colombiana. Então, é fundamental, porque nos permite contar uma história que de um período entre os séculos 3 e 9 da era crista", disse Carlos Augusto Silva.

Segundo ele, já há registro de material encontrado na região de Manaus e entorno que datam de quase 10 mil anos atrás. É o caso de um ponta de flecha encontrada na região de Iranduba de cerca de 9.700 anos, de acordo com a datação de carbono 14. Esse mesmo processo de datação será utilizado nas urnas encontradas nesta semana na Colónia António Aleixo.

TAC do Proama
Os recursos para o trabalho de arqueologia que vem sendo realizado na Colônia Antônio Aleixo foi garantido por um Termo de Ajustamento de Conduta proposto pelo Ministério Público Federal envolvendo as empresas do Consórcio Rio Amazonas, responsável pelas obras do Proama (Programa Águas para Manaus), o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional) e a Ufam, assinado em junho do ano passado.

Pelo TAC, o consórcio, formado pelas empresas Costrutora Etam e Construtora Amazónida, ficou obrigado a repassar recursos no valor de RS 268.073,63 à Ufam para a execução do "Programa de Valorização do Património Cultural e Preservação Arqueológica na Zona Leste de Manaus", no Sítio Lajes, que terá a duração de dois anos.

O TAC foi proposto pelo Ministério Público como compensação dos impactos ambientais e arqueológicos decorrentes da execução, pelas empresas, das obras e serviços de engenharia para o sistema de abastecimento de água na cidade de Manaus, principalmente a construção do complexo de captação e tratamento de água na Ponta das Lajes.

O Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas é a instituição responsável pela guarda do material arqueológico resgatado no Sítio Lages.


Confira o registro fotográfico (Fotos:
Divulgação-Projeto VZL-Ufam/Valter Calheiros)


















Por Valmir Lima, da Redação


http://amazonasatual.com.br/arqueologos-removem-urna-funeraria-de-2-mil-anos-para-laboratorio-da-ufam/

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