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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Museu das Marionetas do Porto, Portugal.

O fim é ainda um ato de amor.




Isabel Barros é coreógrafa e exerce atualmente as funções de diretora do Balleteatro,
do Teatro de Marionetas do Porto e do Museu das Marionetas do Porto. 



Há datas cheias de brilho, são datas que pontuam a vida e nos lembram o seu valor. Dia 3 de Fevereiro é uma dessas datas. Dia do 3º aniversário do Museu das Marionetas do Porto e da pessoa que o sonhou João Paulo Seara Cardoso (1956-2010). O Museu das Marionetas do Porto é um museu de autor, situado no Centro Histórico do Porto e com uma relação especial com a Cidade e com a comunidade, com a qual tem feito projetos de criação criando assim uma relação de proximidade.


Desde 2010, a reflexão sobre o que pode ser um museu hoje, tem sido uma das ideias presentes no meu trabalho.

De muitas cidades que visitei, trouxe sempre comigo as imagens e as experiências dos museus, das igrejas, dos teatros, das praças, das avenidas, como peças fundamentais na construção da identidade de cada cidade.

Os museus são lugares de contemplação, de encanto de descoberta. São lugares de silêncio e de felicidade. São lugares para percorrer em solidão diria, para que o nosso corpo tenha oportunidade de escolher e experimentar uma relação de amor e desprendimento. Uma peça exposta pode nos comover e isso é tocante.

Ao olhar o tempo para ali. Podemos ficar todo o tempo num ato de entrega, apenas uma condição, partirmos com mais intensidade e permitirmos que tudo permaneça da mesma forma, numa absoluta exaltação do belo.


Em Outubro de 2015 participei nos Encontros de Outono – Os Museu face à Crise económica na cultura: desafios e estratégias, organizados pelo ICOM e Museu Municipal de Penafiel.

Durante esse encontro muitas reflexões interessantes foram feitas, mas houve uma frase que me ficou mais presente: A Crise passa os Museus ficam. Achei curioso e profundo. Como se os Museus pudessem de alguma forma encontrar com muita imaginação e trabalho formas de resistir para que a crise na sua passagem devastadora não apague tudo, permita que algo possa permanecer para que a memória, esse lugar sensível não nos deixe escapar.

Essa frase, fez-me viajar de novo à reflexão da importância absoluta dos Museus, na sua capacidade de contagiar, no lugar pertinente dos museus hoje.

O Homem do século XXI precisa talvez cada vez mais de ter lugares assim. Lugares onde se possa encontrar, revisitar e inventar como homem.

Hoje os temas na arte são muitas vezes quase colados aos da vida quotidiana e surgem museus inesperados, como o Museu das Relações terminadas: a arte do fim do amor, Museum of Broken Relationsships em Zagreb, na Croácia. Este facto é bem revelador de uma aproximação da arte ao quotidiano e da absoluta necessidade do Homem inscrever a vida e registar as formas da sua passagem, mesmo quando o fim é ainda um ato de Amor.







Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

A cultura é o único antídoto que existe contra a ausência de amor.

Vamos compartilhar.

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