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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A surpreendente Bienal de Cinema Indígena. --- The amazing Indigenous Film Biennial.



Assim o líder indígena brasileiro Ailton Krenak define a segunda edição da Aldeia SP, agora Bienal de Cinema Indígena, outubro em São Paulo, Brasil,no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e nos Centros Educacionais Unificados (CEUs)/Circuito Spcine. 


“A imagem já está pastel demais. Hollywood pasteurizou a imagem. Nós queremos despasteurizar, estamos fazendo uma espécie de revolução do olhar. É mais uma revolta do olhar que uma revolução. É um olhar que não aguenta mais a mesmice.” 


Os realizadores dos 57 filmes que integram a mostra têm, sem exceção, origem indígena. “É gente que vem numa plataforma ancestral chamada cinema de índio, com as visões do ayahuasca, outras visões”, explica Ailton, mineiro nascido na região do médio rio Doce e idealizador da mostra. “Os caras estão acostumados a ver um outro tipo de cinema, um cinema transcendental. É gente que está acostumada com imagens que não são controladas. Eles se relacionam com imagens descontroladas. É uma revolta do olhar”, define Krenak.






São Paulo, Brasil, exibe, no início de outubro, 57 produções realizadas exclusivamente por índios. Elas mostram intensidade, força e a poesia de um cinema quase desconhecido


Em sua viagem do CCSP para os diversos CEUs paulistanos, a Aldeia SP apresentará públicos da região central e das periferias a um outro universo de formação e criação cinematográfica, bastante diferente de tudo que estamos acostumados a conhecer como cinema convencional. “Nós não estamos fabricando pastel, como dizia o cineasta Luis Buñuel. Não vamos entregar pastel, que tem que ser rapidinho, comer enquanto está quente”, brinca Ailton, que é cofundador da União das Nações Indígenas (1980) e do Núcleo de Cultura Indígena (1985) e teve atuação marcante da Assembleia Nacional Constituinte que resultou na Constituição Brasileira de 1988. “São filmes que você pode ver daqui a 500 anos, porque afinal de contas vão estar falando sobre um assalto que aconteceu há 500 anos.”

O antropólogo, cineasta e fotógrafo Pedro Portella, um dos curadores, define a seleção de filmes da Aldeia SP: “Pensamos na curadoria como uma maloca indígena, onde o ritual e o cotidiano dos ameríndios estivessem presentes, reunidos em um cinema artesanal. O importante, para nós, é reforçar o papel do cinema múltiplo indígena, um cinema artesanal e diverso, que traz o discurso direto de seus realizadores”.

“Perdi a conta dos filmes a que assistimos”, diz o outro curador, o cineasta e produtor Rodrigo Arajeju (Troféu Mucuripe de melhor direção neste ano pelo filme Índios no Poder, no 26º Festival Cine Ceará). “Para se ter uma ideia, a nossa seleção compreende produções que vão de filmes de protesto, sobre retomadas de terras tradicionais, até o cine-roça, o cine-xamanismo, videoclipes, programas televisivos e animações. As estéticas indígenas são múltiplas e refletem a diversidade vivenciada em matas e fronteiras urbanas por dezenas de coletivos e realizadores pertencentes a alguns dos 305 povos originários no Brasil, falantes de 274 línguas.”


Portella demarca o salto de cidadania vivido pelos realizadores, que passam agora à condição de contadores de suas próprias histórias. “Sabemos bem que um desejo antigo deles é fazer uma televisão coletiva na essência, que dialogue em diversas línguas para além do mundo dos brancos. Por mais que essa televisão ainda não exista, já existem canais de exibição, que encontraram fôlego na rede. A internet coletivizou os vídeos indígenas, assim como o whatsapp. São os casos da TV FOIRN de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, do Departamento de Projeto Audiovisual do Conselho Indígena de Roraima e do Centro de Mídia Kokojagoti, dos jovens Kayapó do Pará, só para citar alguns dos muitos coletivos independentes selecionados.”

A coletividade é valor primordial de uma mostra que desafia os ditames dos circuitos “cara pálida” de festivais, segundo expõe Portella: “A necessidade de afirmação da coletividade é sem dúvida urgente, porque existem coletivos, como é o caso de alguns dos Guarani Kaiowá, que não participam de mostras competitivas de cinema, por discordarem desta forma de mostrar, decerto ocidental demais para eles. Eles desejam agregar ao invés de competir”.


Nesse espírito de coletividade não competitiva, a Bienal de Cinema Indígena abrange produções dos últimos seis anos e destaca, segundo observa Portella, uma forte amostra de produção feminina. “Só das etnias indígenas do rio Negro saíram 11 filmes, sobretudo de realizadoras indígenas como a Baniwa Elisangela Fontes Olímpio, com seu documentário mítico intitulado Nora Malcriada, e a Tukana Larissa Ye’padiho Mota Duarte, que estará presente pessoalmente na mostra apresentando o filme autobiográfico Wehsé Darasé – Trabalho da Roça. Além delas também teremos a Tariana Maria Claudia Dias Campos, com o belo e intimista As Manivas de Basebó – Histórias e Tradições, e o sensível Não Gosta de Fazer mas Gosta de Comer, da Tukana Maria Cidilene Basílio em parceria com a Baré Alcilane Melgueiro Brazão. Elas afirmaram e documentaram a prática sobretudo feminina tão importante que vemos em quase toda Amazônia: as casas de farinha, que alimentam os povos indígenas desde sempre.”

”As mulheres indígenas ocupam maior espaço no cinema porque sua afirmação de independência cresceu nas aldeias e o seu protagonismo no movimento indígena já se tornou marcante”, afirma Rodrigo Arajeju. Os cinco sentidos, além de outros mais, terão de estar bem aguçados para descortinar um Brasil visto pela revolta do olhar de representantes das mais antigas brasileiras e brasileiros.

O patrocínio da Aldeia SP é da Spcine, o escritório municipal de desenvolvimento, financiamento e implementação de programas e políticas para cinema, TV, games e web, com apoio das secretarias municipais de Cultura e Educação. A abertura da mostra está prevista para o dia 7 de outubro, às 16h, no CCSP (rua Vergueiro, 1.000, tel. 011/3397-4002), com a apresentação de um coral de crianças guarani, outras manifestações artísticas indígenas e uma roda de conversa com a participação de Ailton Krenak, o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, o documentarista Vincent Carelli e o ambientalista João Augusto Fortes. Às 20h, haverá sessões de exibição do filme convidado O Abraço da Serpente (2015), de Ciro Guerra.

A partir do dia 10 de outubro, a Aldeia SP entra em cartaz nos CEUs, com sessões já confirmadas nas unidades Alto Alegre, Aricanduva, Butantã, Casa Blanca, Inácio Monteiro, Parque Anhanguera, Parque Bristol, Pera Marmelo e Vila Atlântica.

Junto dos filmes, o festival trará a São Paulo dez de seus realizadores, com sessões de contato direto com o público durante a exibição dos filmes, no CCSP e nos CEUs. Também estarão nas salas de cinema moradores de aldeias locais guarani, pankararu e de outros habitantes da metrópole, “os parentes que estão aqui”, segundo Krenak, para integrar o coletivo. Entre os relaizadores indígenas confirmados estão Alberto Álvares (Guarani Nhandeva, Mato Grosso do Sul), Alexandre Pankararu (Pankararu, Pernambuco), Carlos Papá (Guarani, São Paulo), Cristiane Takuá (Takuá, São Paulo), Jerá Giselda (Guarani Mbya, São Paulo), Larissa Ye Padiho Mota Duarte (Tukano, Amazonas), Michely Fernandes (Guarani Kaiowa, Mato Grosso do Sul/Rio de Janeiro), Morzaniel Iramari Yanomami (Yanomami, Roraima/Amazonas), Patrícia Ferreira (Guarani Mbya, Rio Grande do Sul), Txana Isku Nawa (Huni Kuin, Acre), e Wera Alexandre (Guarani Mbya, São Paulo).

Ailton Krenak, idealizador da Aldeia SP – Bienal de Cinema Indígena, é ativista indígena dos direitos humanos. Nasceu em 1953, no Vale do rio Doce, Minas Gerais, e pertence à etnia Krenak. Em 1987, no contexto das discussões da Assembleia Constituinte, liderou a luta pelos princípios inscritos na Constituição Federal do Brasil. Fundou e dirige no Núcleo de Cultura Indígena, que realiza desde 1998 o Festival de Danças e Culturas Indígenas, na Serra do Cipó (Minas Gerais).



Por Pedro Alexandre Sanches




Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

COLABORAÇÃO:  Vivianne Amaral

http://outraspalavras.net/blog/2016/09/23/a-surpreendente-bienal-de-cinema-indigena/

Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

O tempo voa, obras de arte são para a eternidade, sem rugas!





--in via tradutor do google
The amazing Indigenous Film Biennial.


Thus the Brazilian Indian leader Ailton Krenak defines the second edition of SP Village, now Indigenous Film Biennial in October in Sao Paulo, Brazil, in São Paulo Cultural Centre (CCSP) and the Unified Educational Centers (CEUs) / Spcine circuit.



"The image is already too pastel. Hollywood pasteurized image. We want despasteurizar, we are making a kind of revolution look. It is a revolt of the look of a revolution. It's a look that no longer can handle the sameness. "


The directors of the 57 films in the show have, without exception, indigenous origin. "It's people who come in an ancient platform called Indian cinema, with the visions of ayahuasca, other views," said Ailton, miner born in the region of the Middle Rio Doce and creator of the show. "The guys are used to seeing a different kind of cinema, a transcendental cinema. It is people who are accustomed to images that are not controlled. They relate to uncontrolled images. It is a revolt look "defines Krenak.





São Paulo, Brazil, displays, in early October, 57 productions performed exclusively by Indians. They show intensity, strength and poetry of an almost unknown film


In your CCSP trip to the various paulistanos CEUs, the Village will present SP government in the central region and the peripheries to another universe training and filmmaking, quite unlike anything we're used to know as conventional cinema. "We're not making pastel, as saying the filmmaker Luis Buñuel. We will not deliver pastel, it has to be real quick, eat while it's hot, "jokes Ailton, who is co-founder of Union of Indigenous Nations (1980) and the Indigenous Culture Center (1985) and had outstanding performance of the National Constituent Assembly which resulted in the Brazilian Constitution of 1988 "are movies that you can see 500 years from now, because after all will be talking about an assault that happened 500 years ago."

The anthropologist, filmmaker and photographer Pedro Portella, one of the curators, defines the selection of village SP films: "We think of curating as an Indian village, where the ritual and daily life of the Amerindians were present, gathered in a handmade film. The important thing for us is to strengthen the role of indigenous multiple cinema, craft and diverse cinema, which brings the direct speech of his directors. "

"I've lost count of the movies we watch," says the other curator, filmmaker and producer Rodrigo Arajeju (Mucuripe Trophy for best director this year for the film Indians in power, the 26th Festival Cine Ceará). "To have an idea, our selection includes productions ranging from protest films on retaking of traditional lands to the cine-fields, the cine-shamanism, music videos, television programs and animation. Indian aesthetics are multiple and reflect the diversity lived in forests and urban borders of dozens of collectives and directors belonging to some of the 305 people originating in Brazil, speaking 274 languages. "



Portella demarcates the jump citizenship experienced by the directors, who now the condition counters of their own stories. "We know that an old desire of them is to make a collective television in essence, that dialogue in several languages ​​in addition to the white world. As much as this television does not exist, there are already display channels, they found breath in the network. The internet collectivized indigenous videos as well as the whatsapp. Are FOIRN TV cases of São Gabriel da Cachoeira, in Amazonas, Department of Audiovisual of the Indigenous Council of Roraima Design and Media Centre Kokojagoti, the Kayapo young Pará, to name a few of the many selected independent collective. "

The community is paramount value of a show that defies the dictates of the circuits "pale face" festivals, according exposes Portella: "The need for community's claim is without urgent question, because there are collective, as is the case of some of the Guarani Kaiowá who do not participate in competitive film festivals, disagree with this way of showing, certainly too western for them. They want to add rather than compete. "



In this spirit of non-competitive community, the Indigenous Film Biennial covers productions of the last six years and highlights, according to notes Portella, a strong female production sample. "Only the indigenous ethnic groups of the Rio Negro left 11 films, mostly indigenous filmmakers as Baniwa Elisangela Sources Olimpio, with its mythical documentary Nora bratty, and Tukana Larissa Ye'padiho Mota Duarte, who will be personally present at the show presenting the film autobiographical Wehsé Darasé - Work from the Country. Besides them also have the Tariana Maria Claudia Dias Campos, with the beautiful and intimate The cuttings of Baseball - Stories and Traditions, and sensitive Dislikes Do but Eat Like, the Tukana Maria Cidilene Basil in partnership with Baré Alcilane Melgueiro Brazão . They stated and documented especially women practice so important that we see in almost every Amazon. The flour mills that feed the indigenous peoples always "

"Indigenous women occupy more space in the film because his independence claim has grown in the villages and their role in the indigenous movement has become remarkable," says Rodrigo Arajeju. The five senses, and other more will have to be very keen to uncover a Brazil seen by the revolt of the look of representatives of the Brazilian men and old.

Sponsorship Village SP is the Spcine, the municipal office development, financing and implementation of programs and policies for film, TV, games and web, with support from municipal departments of Education and Culture. The opening show is scheduled for October 7, at 16h, in the CCSP (Vergueiro street, 1000, tel. 011 / 3397-4002), with the presentation of a children's choir Guarani, other indigenous art forms and a wheel talk with the participation of Krenak, former Minister of Culture Juca Ferreira, the documentary filmmaker Vincent Carelli and environmental Joao Augusto Fortes. At 20h, there will be viewing sessions of invited film The Serpent Embrace (2015), Ciro Guerra.

From October 10, the Village SP goes on display in CEUs, with sessions already confirmed in units Alto Alegre, Aricanduva, Butantã, Casa Blanca, Inácio Monteiro, Anhanguera Park, Bristol Park, Quince Pear and Atlantic Village.

Along the films, the festival will bring to São Paulo ten of its directors with direct contact sessions with the audience during the showing of the films, the CCSP and CEUs. Will also be the residents cinemas local Guarani villages, Pankararu and other inhabitants of the metropolis, "the relatives are here," said Krenak, to join the collective. Among the confirmed indigenous relaizadores are Alberto Alvares (Guarani Nhandeva, Mato Grosso do Sul), Alexandre Pankararu (Pankararu, Pernambuco), Carlos Papa (Guarani, Sao Paulo), Cristiane Takua (Takua, São Paulo), Jerah Giselda (Guarani Mbya, São Paulo), Larissa Ye Padiho Mota Duarte (Tukano, Amazonas), Michely Fernandes (Guarani Kaiowa, Mato Grosso do Sul / Rio de Janeiro), Morzaniel Yanomami Iramari (Yanomami, Roraima / Amazonas), Patrícia Ferreira (Guarani Mbya, Rio Grande South), Txana Isku Nawa (Huni Kuin, Acre) and Wera Alexandre (Mbya Guarani, Sao Paulo).

Krenak, founder of Village SP - Indigenous Film Biennial, is indigenous human rights activist. Born in 1953, in Vale do Rio Doce, Minas Gerais, and belongs to Krenak ethnicity. In 1987, in the context of discussions of the Constituent Assembly, he led the fight for the principles enshrined in the Federal Constitution of Brazil. He founded and directs the Indigenous Culture Center, which conducts since 1998 the Dance Festival and Indigenous Cultures in Serra do Cipo (Minas Gerais).

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